JN exibe vídeo da delação de Joneuma; “todo o resto contribuiu” para a fugainvestigação
Na noite de segunda-feira, 20 de abril, o Jornal Nacional apresentou um vídeo contendo a delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis. Durante a reportagem, ela revelou detalhes sobre como parte da propina recebida do ex-deputado federal Uldurico Júnior foi transportada em uma caixa de sapatos, além do planejamento que possibilitou a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024.
Joneuma mencionou que houve uma “vista grossa” dentro da prisão, permitindo que os presos utilizassem uma furadeira para romper a parede. Ela também enfatizou que diversos fatores contribuíram para o êxito do plano, incluindo pessoas que fizeram cópias das chaves, a lentidão da polícia e a colaboração dos funcionários presentes na unidade prisional.
Além disso, a ex-diretora esclareceu que Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada e líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis, desenvolveu um plano com “um suporte logístico excepcional”.
“Eu ignorei o barulho da furadeira. Todo o restante colaborou. Alguém fez cópia das chaves, houve demora na resposta da polícia e as pessoas que estavam trabalhando naquele dia também ajudaram. E ele [Dada] montou um plano muito bem estruturado, ao qual eu não participei, mas com excelente apoio logístico. Acredito que ele deve ter investido uma quantia significativa para que essa operação fosse bem-sucedida”, declarou Joneuma durante sua delação.
Desde sábado, o Bahia Notícias publicou uma série de cinco reportagens detalhando o depoimento da ex-diretora ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). As matérias abordaram minuciosamente todo o esquema da fuga, incluindo referências ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, a relação entre Joneuma e Uldurico Júnior e os métodos utilizados para a entrega do dinheiro.
Na segunda-feira, uma operação coordenada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e pelas polícias civis da Bahia e do Rio de Janeiro foi realizada na comunidade do Vidigal, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro. O objetivo era capturar líderes de uma organização criminosa proveniente do sul da Bahia, entre eles Dada, que se encontravam foragidos na região.
As autoridades informaram a prisão de Núbia Santos Oliveira, identificada como uma das principais operadoras financeiras do Primeiro Comando de Eunápolis e com vínculos com o Comando Vermelho.
Ela é casada com Wallas Souza Soares, conhecido como ‘Patola’, um dos líderes dessa facção juntamente com Ednaldo Pereira dos Santos, chamado ‘Dada’. Núbia tinha dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio e está sendo investigada por lavagem de dinheiro. Além dela, um homem foi preso em flagrante portando um fuzil; armas e drogas foram apreendidas durante a operação.
