HECB assume responsabilidade e arcará com despesas após confusão em velório com corpos invertidos

Hospital Estadual Costa das Baleias assume responsabilidade por erro que causou velório de corpos trocadosVEJA

Um grave incidente nos protocolos do Hospital Estadual Costa das Baleias (HECB), localizado em Teixeira de Freitas, resultou em uma situação de grande desconforto e revolta para duas famílias em luto. O episódio ocorreu no último domingo, 26 de abril, quando um corpo foi liberado incorretamente para o velório na cidade de Alcobaça, enquanto os familiares de Itanhém aguardavam por horas sem receber informações sobre a liberação de seu ente querido.

Inicialmente, relatos de familiares sugeriam que a confusão envolvia os corpos de um homem e uma mulher, informação que chegou a ser divulgada por um site local. Contudo, investigações subsequentes esclareceram que ambas as vítimas eram homens, corrigindo assim a versão inicial que circulava nas primeiras horas após o ocorrido. Ambos faleceram na unidade hospitalar e passaram pelo processo formal de reconhecimento antes da liberação dos corpos.

O hospital explicou que a confusão começou durante a troca de turnos dos maqueiros. O funcionário que estava encerrando seu expediente não transmitiu corretamente as informações ao colega que assumia o plantão, o que resultou na entrega errônea dos corpos. Quando uma funerária contratada pela família de Alcobaça chegou para buscar o corpo, recebeu o do paciente de Itanhém e seguiu com todos os trâmites normais até o local onde seria realizado o velório. A tragédia foi descoberta apenas no momento em que os parentes abriram o caixão.

Enquanto isso, a equipe da funerária encarregada do sepultamento em Itanhém enfrentava longas esperas e respostas evasivas no hospital. A administração do HECB inicialmente alegou não ter nenhum corpo correspondente ao nome indicado no necrotério até que a situação fosse esclarecida. A constatação do erro obrigou a família de Alcobaça a reiniciar todo o processo burocrático e logístico, enquanto os parentes de Itanhém tiveram que adiar o velório previamente agendado. Em resposta à situação, a direção do hospital comprometeu-se a cobrir todos os custos decorrentes dessa falha.

Depoimento angustiante de um irmão em espera

Um dos irmãos das vítimas compartilhou sua angústia ao ser enviado a Teixeira de Freitas para assinar a liberação do corpo e descobrir que ele não estava no local, mesmo tendo toda a documentação necessária. Após essa notícia, a equipe hospitalar se afastou para “verificar a situação” e não retornou mais com informações. “Ficamos esperando por duas horas até às seis horas da tarde no hospital, passando por um desconforto total; ninguém se aproximava para nos informar nada; nos sentimos completamente abandonados”, relatou.

A revelação do erro só veio à tona quando a funerária local, já envolvida na transferência equivocada do corpo para Alcobaça, fez contato com a família. O irmão enfatizou que as funerárias atuaram corretamente e atribuiu toda a responsabilidade ao hospital pela falha crítica durante a entrega. “Assim que as pessoas reconhecem um corpo, é direito da pessoa presente na liberação mostrar o corpo correto e não enviar o errado para outro endereço, como aconteceu com meu irmão. Foi muito triste”, desabafou ele, pedindo medidas cabíveis.

No dia seguinte, 27 de abril, os agentes funerários envolvidos prestaram depoimentos nas delegacias de Teixeira de Freitas e Itanhém. O caso permanece sob investigação.

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