Capitão da PM Fabrício Carlos é sentenciado a 21 anos de prisão por corrupçãoPrisão
No dia 10 de junho, a Justiça Militar da Bahia acolheu uma denúncia do Ministério Público e condenou o capitão da Polícia Militar, Fabrício Carlos Santiago dos Santos, a 21 anos, 1 mês e 27 dias de reclusão por corrupção passiva e peculato-desvio. Os crimes foram cometidos de maneira contínua entre julho de 2023 e março de 2024 na cidade de Santa Cruz Cabrália. A decisão incluiu a manutenção da prisão preventiva do oficial e a perda dos direitos políticos após o trânsito em julgado da sentença.
A ação penal foi iniciada pela unidade Sul do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e Investigações Criminais (Gaeco Sul). O capitão é acusado de receber pagamentos para direcionar as atividades da 4ª Companhia de Santa Cruz Cabrália em favor de interesses privados, incluindo uma fazenda. Além da pena privativa de liberdade, foi determinado também que ele perdesse seu cargo, posto e patente. Fabrício já havia sido condenado anteriormente por corrupção em 2025, quando foi punido por cobrar propinas para liberar “paredões” na mesma área. Atualmente, ele se encontra detido na Coordenação de Custódia Provisória da Corregedoria da PM, enquanto a decisão proferida em setembro ainda não se tornou definitiva.
Conforme a sentença emitida pela 1ª Vara de Auditoria Militar em Salvador, o capitão cometeu corrupção passiva em nove ocasiões ao solicitar e receber vantagens indevidas para beneficiar um particular. Também foi condenado por peculato-desvio ao utilizar viaturas, combustível e policiais para segurança privada. A investigação revelou que houve policiamento ostensivo em uma propriedade privada, com viaturas estacionadas no local e fotografias tiradas pelo próprio policial para comprovar a realização do serviço ao contratante. Ademais, não houve qualquer solicitação formal de policiamento junto ao batalhão.
A condenação fundamentou-se em evidências técnicas, documentais e testemunhais. As apurações demonstraram que o réu negociava o envio de guarnições e viaturas, recebendo os pagamentos por meio do sistema Pix. Transferências financeiras foram rastreadas para contas do ex-militar e uma empresa ligada à sua família, conforme um relatório técnico produzido pelo Gaeco. O montante recebido pelo capitão ultrapassou R$ 17 mil em valores documentados, além de outras transferências mencionadas em conversas que totalizavam cerca de R$ 21,5 mil relacionados às atividades ilícitas.
O réu reconheceu a autenticidade das mensagens trocadas e dos comprovantes financeiros apresentados durante o processo, embora tenha argumentado que os valores eram destinados a apoio operacional. Para os magistrados, as provas coletadas evidenciam um “esquema mercantilizado” envolvendo a segurança pública, onde houve utilização da estrutura estatal para benefício privado mediante compensação financeira.
